Junho foi um mês de ritmo acelerado: de Turim a Roma, de Viminacium a Tirana, sempre em conferências, num movimento que tantas vezes se torna desordenado de tanta intensidade de ideias, palavras e conversas.
E, no entanto, foi no Porto que encontrámos tempo para parar. Durante três dias, a II Jornada Ibero-Americana “Museus e Sustentabilidade: educação e cuidado para o bem-estar coletivo” reuniu 170 profissionais de 14 países ibero-americanos, através de 25 experiências museológicas que cruzaram educação, sustentabilidade, cuidado e comunidade.
A experiência foi inspiradora e contaminadora, quase uma metáfora ao saco de Ursula Le Guin, que tantas vezes usamos como imagem em formações de mediação cultural: carregar elementos distintos, até descondizentes, que quando colocados juntos nos fazem pensar de outra forma. Não falamos de revoluções imediatas, mas de micro-epifanias que alimentam micro-utopias.
Foram dias de profunda aprendizagem coletiva:
- O Hackathon Património desde as infâncias, que explorou a mediação cultural como ferramenta estratégica para apropriação social e sustentabilidade.
- O Laboratório sobre museus e diversidade, que nos lembrou que a acessibilidade é prática, não apenas diretriz.
- O Laboratório Museus como lugares de sentido, que refletiu sobre o museu como espaço vivo de pertença e de ressignificação.
- O Museu Match, que reforçou a importância do trabalho em rede e da colaboração horizontal entre instituições.
Momentos que se entrelaçaram no encerramento com as palavras de Irene de la Jara (Chile) e Cecilia Bertolini (Uruguai), que sublinharam a dimensão ecológica e ética dos museus — cuidar do ambiente, das pessoas, das gerações e das próprias instituições.
Orgulho no trabalho consistente do Museu Nacional Machado de Castro, na receção generosa do Museu Nacional Soares dos Reis, e no diálogo com as experiências do Chile, da Colômbia, de Cuba, do Brasil, que insistem em fazer dos museus lugares de comunidade e de “pôr em comum”.
No meio do excesso, aprendemos que é na pausa, na escuta e no entrelaçar de experiências que se constrói o pensamento museológico capaz de gerar mudanças duradouras.






